Não me recordo como iniciou nossa conversa, lembro-me somente que terminou com ele falando dessa maneira:

Não, eu não sou o dono dele, eu sou é amante

Sou dono das minhas coisas, imagina eu, ser dono dessa vida linda que és tão superior a minha

Ele não tem preconceito, eu tenho

Ele não tem magoa de ninguém, e eu também tento me livrar das minhas

Ele não tem remorso de nada, e eu também choro de contrição de muitas coisas

homem abraça cão enquanto olha o horizonte

Reprodução | Facebook

O rapaz da padaria um dia o tocou de lá, passou um tempo, eu o vi novamente na padaria abanando o rabo em aquele homem, ele não guardou raiva, já eu não perdoo aquele traste

Não esqueço quem me fez mal, ele não; ele parece enxergar a parte jibóia das pessoas

Ele brinca com todo mundo, já vi lambendo as mãos de uns e outros aqui que eu jamais apertaria

inclusive de criança ele gosta, fica todo feliz correndo depois delas, chega a ficar cansado, mas feliz

E eu não suporto esses pirralhos barulhentos, fazem espalhafato quando estão alegres e quando estão chorando tristes

Tem uma velha que traz bolachas pra ele, e como reconhecimento ele a acompanha de volta inclusive o prédio dela, você acredita?

Eu nem respondo o jibóia tarde que ela insiste em me dizer, não vou com a cara dela

Na verdade eu sinto que as pessoas me suportam por causa dele, a minha sorte é que ele existe e dessa maneira as pessoas destarte como me percebem.

Sorte que ele existe – ANDA

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