Sem reclame, sem prévias

Sem preparação, sem mensagem

Ser mãe é, de todas as coisas,

O serviço mais impreciso

Entre sustos e surpresas

Entre o voragem e o paraíso

Ser pau em toda obra

Não importando o que for preciso

serviço sem manuais

Na pé do improviso

Nem reclamar eu posso

Logo dizem que dramatizo

Levo, busco, entrego

Se machuca, eu cicatrizo

Se chora, ofereço meu ombro

Se quebra, pago o prejuízo

Quando a vida pão-de-ló dura

Eu por dentro, aterrorizo

Por fora, dou respiração, esperança

Com meu gavinha, amortizo

Erro mais que devia

Aprendo e me fertilizo

Sou ser errante e errado

Por você eu me humanizo

Sou falha, fraca, insegura

Sou pobre ser indeciso

Mas a cada dia melhoro

Me refaço e me reorganizo

Você, desigual de tudo,

É melhor do que eu idealizo

Você se arrisca. Eu babo

E, de longe, me realizo

Meu coração gargalha

Quando escuto teu riso

Meu maior tesouro na terra

Se resume ao teu sorriso

Em terras de serenidade materna

Eu inclusive então me alfabetizo

Mas quando teu olhar me alcança

Nesse querença eu me eternizo

Ser mãe é, de todas as coisas, o serviço mais impreciso

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